Fadiga grave em mulheres pode ser colangite biliar primária
Crédito: CNN Brasil
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Fadiga grave em mulheres pode ser colangite biliar primária

A fadiga grave em mulheres, muitas vezes confundida com menopausa, pode ser sinal de colangite biliar primária (CBP), uma doença autoimune rara que ataca os ductos biliares. A condição é silenciosa e seus sintomas iniciais, como exaustão e coceira, são frequentemente subestimados.

A fadiga extrema em mulheres, frequentemente atribuída ao estresse ou à menopausa, pode ser um sinal de uma doença rara e silenciosa: a colangite biliar primária (CBP). Essa condição autoimune e crônica ataca os pequenos canais que conduzem a bile dentro do fígado e, se não tratada, pode evoluir para cirrose. A enfermidade prevalece em mulheres de 55 a 75 anos, mas também pode surgir na faixa dos 35 aos 55 anos, período de intensa atividade profissional e pessoal.

O que é a colangite biliar primária?

A colangite biliar primária é uma condição autoimune e crônica que ataca os pequenos canais que conduzem a bile dentro do fígado e pode evoluir para cirrose. A bile, produzida pelo fígado, é essencial para a digestão de gorduras e eliminação de toxinas. Quando os ductos são danificados, a bile se acumula no fígado, causando inflamação e fibrose. Com o tempo, esse processo pode levar à cirrose e insuficiência hepática. A doença é mais comum em mulheres, especialmente entre 55 e 75 anos, mas também pode surgir entre 35 e 55 anos, como apontam os dados.

O grande desafio da CBP está em sua natureza silenciosa e na falta de especificidade dos sintomas iniciais, frequentemente confundidos com ansiedade ou depressão. Muitas mulheres passam longos períodos assintomáticas, descobrindo a patologia de forma incidental por meio de alterações em exames laboratoriais de rotina, como a elevação da enzima fosfatase alcalina. Essa descoberta acidental é comum, já que os primeiros sinais são vagos e facilmente atribuídos a outras causas.

Fadiga: o sintoma mais comum e limitante

O sintoma mais comum e limitante da doença é a fadiga, que afeta até 80% das pessoas. Diferente do cansaço comum, a fadiga não tem ligação com o esforço físico e não é resolvida com repouso, persistindo mesmo após uma boa noite de sono. Quem tem a doença descreve a sensação como ‘andar em uma névoa constante, uma exaustão invisível que gera incompreensão social’. Essa fadiga debilitante pode dificultar tarefas simples do dia a dia, como subir escadas ou carregar compras, e muitas vezes é minimizada por familiares e colegas de trabalho.

Segundo a doutora Liliana Mendes, hepatologista do Hospital de Base de Brasília, o impacto nessa fase é ainda mais avassalador, pois coincide com o auge da atividade profissional, cuidados com filhos e a gestão de múltiplos projetos pessoais. Como explica Liliana, esse peso afeta o bem-estar de forma tridimensional: fisicamente, mentalmente e emocionalmente. Fisicamente, reduz a força para tarefas simples; mentalmente, prejudica a cognição com lapsos de memória e concentração; e emocionalmente, gera frustração, ansiedade e isolamento – impactando diretamente o trabalho e os relacionamentos.

Outros sintomas além da exaustão

Além da exaustão, as manifestações clínicas da CBP costumam incluir o prurido – coceira intensa que ocorre sem lesões visíveis na pele, piora à noite e compromete a qualidade do sono. Essa coceira pode ser tão intensa que leva a escoriações e insônia, afetando ainda mais a qualidade de vida. As manifestações clínicas da CBP também incluem secura nos olhos e na boca, dores abdominais e articulares, e a associação com outras condições autoimunes, como problemas na tireoide ou artrite. Muitas mulheres relatam boca seca e olhos ressecados, que podem ser confundidos com síndrome de Sjögren, outra doença autoimune.

As dores abdominais e articulares são comuns, mas inespecíficas, o que atrasa o diagnóstico. A associação com outras doenças autoimunes, como tireoidite de Hashimoto ou artrite reumatoide, é frequente, o que exige uma avaliação multidisciplinar. Por isso, é fundamental que mulheres com fadiga persistente, coceira inexplicável ou alterações em exames hepáticos procurem um hepatologista ou reumatologista.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da CBP é feito por meio de exames de sangue que detectam anticorpos antimitocôndria (AMA), presentes em cerca de 95% dos pacientes, e pela elevação da fosfatase alcalina. A biópsia hepática pode ser necessária para avaliar o estágio da fibrose. O tratamento inclui o uso de ácido ursodesoxicólico, que retarda a progressão da doença, e medicamentos para controlar a fadiga e o prurido. É importante que as pacientes mantenham acompanhamento regular com hepatologista e adotem hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e atividade física moderada, sempre com orientação médica. Consulte um profissional de saúde para avaliação individualizada.

A conscientização sobre a CBP é crucial para reduzir o atraso diagnóstico, que pode levar anos. Mulheres com fadiga inexplicável, especialmente na faixa dos 35 aos 55 anos, devem considerar a possibilidade da doença e buscar esclarecimento médico. Embora rara, a CBP tem tratamento e, quanto mais cedo for diagnosticada, melhores são as chances de preservar a função hepática e a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

O que é colangite biliar primária e por que é confundida com menopausa?

A colangite biliar primária (CBP) é uma doença autoimune e crônica que ataca os canais biliares no fígado, podendo evoluir para cirrose. Seu principal sintoma, a fadiga extrema, é frequentemente atribuído ao estresse ou à menopausa, especialmente em mulheres de 35 a 75 anos.

Quais são os sintomas específicos da colangite biliar primária além da fadiga?

Além da fadiga (que afeta até 80% dos pacientes e não melhora com repouso), a CBP pode causar prurido (coceira intensa sem lesões, pior à noite), secura nos olhos e boca, dores abdominais e articulares, e associação com outras doenças autoimunes como problemas na tireoide ou artrite.

Como a colangite biliar primária é diagnosticada em mulheres assintomáticas?

Muitas mulheres passam longos períodos sem sintomas, descobrindo a CBP incidentalmente por alterações em exames de rotina, como a elevação da enzima fosfatase alcalina. O diagnóstico precoce é desafiador devido à natureza silenciosa da doença e à inespecificidade dos sintomas iniciais.

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