Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), publicado em 2025 na revista médica Menopause, trouxe um dado alarmante: 51,4% das brasileiras entre 45 e 60 anos apresentam sinais e sintomas compatíveis com a síndrome geniturinária da menopausa (SGUM). O dado acende um alerta para a necessidade de maior conscientização e cuidado. A condição, que afeta a saúde vaginal, urinária e sexual, permanece subdiagnosticada e pouco discutida. Menos da metade das mulheres que participaram da pesquisa havia conversado sobre o assunto com seu médico.
O silêncio em torno da SGUM não é apenas uma questão de desconhecimento. Muitas mulheres ainda acreditam que esses sintomas são uma parte inevitável do envelhecimento e, por isso, adiam a procura por atendimento, comprometendo sua qualidade de vida. O problema é comum, mas a falta de diálogo com profissionais de saúde perpetua o sofrimento.
51,4% têm sintomas, mas poucas falam com médico
A pesquisa populacional da Unicamp, publicada em 2025 na revista Menopause, apontou que 51,4% das mulheres nessa faixa etária apresentam sinais e sintomas compatíveis com a síndrome. Apesar da elevada frequência, a maioria não relata o problema a profissionais de saúde: menos da metade havia conversado sobre o assunto com seu médico. Muitas convivem com a SGUM em silêncio, sem buscar ajuda.
Por que o diagnóstico ainda é um desafio?
A ausência de consenso sobre o diagnóstico da SGUM dificulta sua identificação. Como os sintomas também podem estar relacionados a outras condições uroginecológicas, a avaliação médica precisa ser criteriosa. Para descartar outras causas, exames laboratoriais podem ser utilizados quando há suspeita de condições com manifestações semelhantes. Especialistas alertam que, sem uma diretriz clara, muitos casos permanecem subnotificados.
Sintomas variam e impactam a qualidade de vida
Um dos aspectos que torna a SGUM ainda mais complexa é a sua apresentação heterogênea. Mulheres da mesma idade podem apresentar manifestações diversas da síndrome, tanto em intensidade quanto no impacto sobre a vida sexual, urinária e emocional. Apesar do desconforto significativo, muitas acreditam que esses sintomas são uma parte inevitável do envelhecimento. Essa crença leva ao adiamento da procura por atendimento, comprometendo sua qualidade de vida e perpetuando o sofrimento.
Tratamento deve ser individualizado
Diante da diversidade de manifestações e causas, a abordagem da SGUM exige diagnóstico preciso e tratamento personalizado, e não a aplicação de protocolos padronizados. Fatores como histórico de câncer de mama, uso de medicamentos, doenças crônicas e preferências individuais influenciam diretamente a escolha da melhor estratégia terapêutica. Portanto, as opções devem ser individualizadas, levando em conta as necessidades e o contexto de cada paciente. Essa conduta, além de mais humanizada, tende a produzir melhores resultados clínicos e adesão ao tratamento.
Opções terapêuticas para cada caso
As alternativas disponíveis variam conforme a gravidade do quadro. Nos casos leves, orientações sobre hábitos de vida e saúde sexual, hidratantes e lubrificantes vaginais costumam proporcionar alívio dos sintomas. Essas medidas simples podem resgatar o conforto e a autonomia da mulher.
Para mulheres com sintomas moderados ou intensos, a terapia estrogênica vaginal continua sendo considerada o tratamento de maior eficácia, desde que não existam contraindicações. A decisão deve sempre levar em conta a relação risco-benefício e ser acompanhada por um especialista. Em situações específicas, outros medicamentos não hormonais, fisioterapia do assoalho pélvico, laser vaginal e acompanhamento multidisciplinar podem complementar o cuidado. Contudo, é importante destacar que o laser vaginal ainda possui indicações restritas e evidências em evolução, por isso sua utilização deve ser criteriosa. Em qualquer circunstância, a escolha do tratamento deve ser feita em conjunto com um profissional de saúde.
O que recomendam Ministério da Saúde e Febrasgo
As diretrizes nacionais também caminham nessa direção. O Ministério da Saúde e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomendam uma assistência centrada na mulher, baseada em evidências científicas e na tomada de decisão compartilhada. Isso significa que a paciente deve ser informada sobre todos os aspectos da condição e participar ativamente da definição da conduta, fortalecendo a relação médico-paciente e os resultados do tratamento.
Para a médica urologista Miriam Dambros Lorenzetti, doutora em Urologia pela Unicamp e PhD em Medicina pela Maastricht University, quebrar o silêncio sobre a SGUM é fundamental para melhorar a qualidade de vida das mulheres. A especialista contribuiu com sua expertise para esta reportagem, produzida em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health. O conhecimento, o diálogo aberto e a busca por ajuda profissional são as chaves para que mais mulheres possam viver essa fase com dignidade, saúde e bem-estar.
Perguntas Frequentes
Quantas mulheres na menopausa têm a síndrome geniturinária?
Mais da metade das brasileiras entre 45 e 60 anos apresenta sintomas da síndrome geniturinária da menopausa (SGUM). Um estudo da Unicamp publicado em 2025 mostrou que 51,4% das mulheres nessa faixa etária têm sinais compatíveis com a síndrome.
Por que muitas mulheres não procuram ajuda para os sintomas da síndrome geniturinária da menopausa?
Muitas convivem com o problema em silêncio e acreditam que os sintomas são parte inevitável do envelhecimento. Menos da metade conversou com seu médico sobre o assunto, o que leva ao adiamento da busca por atendimento e compromete a qualidade de vida.
Quais são os tratamentos para a síndrome geniturinária da menopausa?
O tratamento deve ser personalizado. Em casos leves, orientações de hábitos de vida, hidratantes e lubrificantes vaginais aliviam os sintomas. Para sintomas moderados ou intensos, a terapia estrogênica vaginal é a mais eficaz, se não houver contraindicações. Outras opções incluem medicamentos não hormonais, fisioterapia pélvica e laser vaginal, com indicações restritas.
Fonte
- saude.abril.com.br
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