Anvisa registra aumento de notificações de reações a testosterona em mulheres
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Hormônios / Energia

Anvisa registra aumento de notificações de reações a testosterona em mulheres

Agência alerta para crescimento de notificações de eventos adversos relacionados ao uso de testosterona por mulheres. Entidades médicas destacam que a indicação para reposição hormonal é restrita e deve ser avaliada individualmente. Dados de farmacovigilância mostram aumento, mas Anvisa ressalva que pode refletir melhoria nos sistemas de notificação.

Um alerta divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) coloca em evidência os dados de farmacovigilância que apontam um aumento nas notificações de eventos adversos relacionados a medicamentos anabolizantes. Conforme os registros, o ano de 2024 foi o período com o maior número de comunicações já reportadas, e as substâncias testosterona e somatropina concentram a maior parte dessas queixas. A movimentação acendeu um sinal de atenção entre as autoridades de saúde, especialmente porque a testosterona vem sendo cada vez mais prescrita para mulheres, muitas vezes sem o devido respaldo científico. Entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) reiteram que o uso inadequado do hormônio expõe as pacientes a riscos que poderiam ser evitados.

Anvisa explica possível motivo do aumento

Apesar de os números serem expressivos, a Anvisa destaca que o crescimento nas notificações pode estar mais relacionado a uma melhoria nos mecanismos de registro e a um maior engajamento de pacientes e profissionais de saúde em relatar os eventos, do que a um incremento real e proporcional de ocorrências adversas. A ampliação dos sistemas de farmacovigilância e as campanhas de conscientização têm estimulado a comunicação de reações, o que naturalmente eleva as estatísticas. Contudo, mesmo com essa ressalva, o cenário serve como um alerta para a necessidade de se manter uma postura vigilante quanto ao uso de testosterona, em especial no público feminino, onde as indicações são bastante limitadas.

Mito da reposição para todas as mulheres

Especialistas da SBEM e da FEBRASGO são categóricos ao afirmar que não há base científica para a ideia de que toda mulher deve repor testosterona com o intuito de preservar a saúde ou combater os sinais do envelhecimento. As entidades também criticam a prática, cada vez mais comum, de solicitar a dosagem de testosterona como um exame de rotina ou de diagnosticar um suposto “déficit androgênico” para justificar a prescrição. Tais condutas, além de não encontrarem respaldo na literatura médica, podem induzir tratamentos desnecessários e expor as pacientes a efeitos colaterais que, em muitos casos, poderiam ser prevenidos com uma avaliação clínica adequada.

Indicação aprovada é restrita e cautelosa

Segundo as mesmas sociedades médicas, há apenas uma indicação clínica reconhecida para o uso terapêutico da testosterona em mulheres: o transtorno do desejo sexual hipoativo na fase pós-menopausa. Nesse contexto restrito, o hormônio pode ser considerado, mas sempre com extrema cautela e somente depois que outras estratégias terapêuticas tiverem sido implementadas sem o resultado esperado. Fica claro, portanto, que a testosterona não é um suplemento para o bem-estar geral, não possui propriedades rejuvenescedoras e não deve ser utilizada para fins estéticos — aplicações que não contam com o aval das entidades médicas e que podem trazer mais malefícios do que benefícios.

Importância da avaliação individualizada

A eventual decisão de iniciar a reposição de testosterona em mulheres que se enquadram na indicação aprovada depende de uma análise individual detalhada. Essa avaliação deve incluir a consideração cuidadosa dos sintomas relatados, a realização de exames específicos e a análise do histórico clínico da paciente, de modo a personalizar o tratamento e minimizar riscos. Os especialistas fazem questão de ressaltar que promessas amplas, como aumento de energia, melhora na libido de forma generalizada ou transformações corporais, não encontram sustentação científica e jamais podem substituir a consulta médica aprofundada. A orientação é sempre buscar um profissional de saúde qualificado antes de qualquer decisão.

Em suma, o alerta da Anvisa e as manifestações das sociedades de endocrinologia e ginecologia convergem para um ponto central: a testosterona é um hormônio com indicações muito precisas e seu uso fora desses parâmetros é arriscado. A automedicação, impulsionada muitas vezes por informações desencontradas, é uma prática que deve ser combatida com informação de qualidade. As pacientes devem estar atentas aos sintomas e sempre procurar um médico de confiança para discutir opções terapêuticas seguras e baseadas em evidências. A agência continuará a acompanhar de perto as notificações de eventos adversos e a atualizar suas orientações, visando sempre à segurança dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quando a testosterona pode ser indicada para mulheres, segundo as entidades médicas?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), a única indicação reconhecida é para transtorno do desejo sexual hipoativo na pós-menopausa, e apenas quando outras abordagens não tiveram sucesso.

É verdade que toda mulher precisa repor testosterona para combater o envelhecimento?

Não, especialistas alertam que essa ideia não tem base científica. A reposição deve ser avaliada individualmente, considerando sintomas, exames e histórico clínico, e não como rotina para evitar efeitos do envelhecimento.

O que os dados de farmacovigilância da Anvisa mostram sobre eventos adversos com testosterona?

As notificações de eventos adversos com anabolizantes aumentaram, com pico em 2024. Testosterona e somatropina concentram a maioria dos registros, mas a Anvisa ressalta que o crescimento pode refletir maior notificação e melhoria dos sistemas, não necessariamente mais problemas.

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