Testosterona sem indicação: risco de infarto e AVC
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Hormônios / Energia

Testosterona sem indicação: risco de infarto e AVC

Uma pesquisa publicada na eBioMedicine acompanhou 358.957 homens e descobriu que a terapia com testosterona sem evidência de hipogonadismo está associada a um aumento significativo de eventos cardiovasculares. O estudo reforça a importância da indicação médica adequada e do monitoramento dos fatores de risco.

Alerta: riscos cardiovasculares do uso indevido de testosterona

Homens que utilizam testosterona sem ter deficiência hormonal diagnosticada correm um risco maior de sofrer eventos cardiovasculares graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e morte. É o que revela um novo estudo de grande porte publicado em 9 de julho na revista científica eBioMedicine.

A pesquisa acompanhou quase 360 mil participantes por até 10 anos e demonstrou que os perigos são significativamente maiores quando a terapia é iniciada sem evidências clínicas de hipogonadismo. Os achados acendem um alerta sobre uma prática que tem se tornado comum, especialmente entre homens que buscam ganhos estéticos ou de desempenho.

O papel essencial da testosterona

A testosterona é um hormônio essencial para a saúde masculina, com funções que vão muito além da esfera sexual. Ela é crucial para a manutenção:

  • Dos músculos e dos ossos
  • Do metabolismo
  • Da fertilidade
  • Do funcionamento do cérebro e do sistema cardiovascular

Sem níveis adequados, o organismo sofre impactos que podem comprometer seriamente a qualidade de vida e aumentar a vulnerabilidade a doenças crônicas.

Sinais de deficiência hormonal

Quando a testosterona cai abaixo do normal, podem surgir diversos sintomas, nem sempre específicos. Por isso, a avaliação médica é indispensável. Os principais sinais incluem:

  • Cansaço persistente
  • Queda da libido e disfunção erétil
  • Alterações de humor
  • Dificuldade de concentração e memória
  • Perda de massa óssea (aumenta risco de osteoporose)
  • Anemia leve e redução da massa muscular
  • Perda de disposição e força
  • Em estágios avançados: diminuição dos pelos corporais e redução do volume dos testículos

Quando a reposição hormonal é indicada

A terapia com testosterona é oficialmente recomendada para homens com hipogonadismo, uma condição confirmada por sintomas clínicos e exames laboratoriais que atestam a deficiência hormonal. O objetivo do tratamento é restaurar os níveis normais do hormônio, aliviando os sintomas e prevenindo complicações decorrentes da falta prolongada.

Contudo, o uso indevido tem crescido, especialmente entre homens saudáveis que buscam ganhos estéticos ou de rendimento, o que preocupa a comunidade médica.

A popularização do uso sem necessidade

Nos últimos anos, muitos homens sem deficiência hormonal passaram a utilizar testosterona, principalmente para aumentar a massa muscular ou melhorar o desempenho físico. “O início da terapia com testosterona fora do contexto do hipogonadismo clássico tem se tornado cada vez mais frequente, mas sua segurança cardiovascular a longo prazo permanecia incerta”, destacam os autores do estudo na eBioMedicine. Essa incerteza motivou a investigação em larga escala agora divulgada.

O estudo que analisou quase 360 mil homens

Metodologia

A pesquisa, publicada em 9 de julho na revista eBioMedicine, utilizou registros eletrônicos de saúde de 358.957 homens entre 30 e 75 anos que iniciaram terapia com testosterona em 123 instituições de saúde. Desse total, 35,4% não apresentavam evidências de hipogonadismo, ou seja, iniciaram o tratamento sem uma justificativa médica clara.

Para reduzir disparidades, os cientistas emparelharam participantes com características semelhantes, como idade, peso, pressão arterial e doenças prévias. Após esse pareamento, foram acompanhados 113.554 pares de homens por um período de até 10 anos. O grande tamanho da amostra e o longo seguimento conferem força estatística aos resultados, mesmo sendo uma análise retrospectiva de prontuários.

Resultados: riscos aumentados sem diagnóstico

Os resultados revelaram que o grupo sem hipogonadismo apresentou risco cardiovascular significativamente maior de infarto, AVC e morte. “A segurança cardiovascular da terapia com testosterona parece depender do contexto e ser menos favorável quando o tratamento é iniciado sem evidência de hipogonadismo”, afirmam os pesquisadores.

Vale ressaltar que o estudo não avaliou homens com deficiência hormonal confirmada; portanto, os dados indicam que o perigo está justamente no uso não justificado pela condição clínica.

Prescrição responsável: critérios rigorosos

Os autores do estudo reforçam que a segurança da reposição de testosterona depende da indicação correta. A prescrição deve ser baseada em critérios clínicos e laboratoriais sólidos, confirmando a deficiência hormonal. Isso significa que o uso off-label, motivado por fins estéticos ou de performance, carece de respaldo científico e pode expor os pacientes a danos sérios. Portanto, a decisão de iniciar a terapia deve ser tomada com cautela e sempre orientada por um profissional de saúde.

Monitoramento cardiovascular é indispensável

De acordo com o levantamento, quem faz uso de testosterona precisa de acompanhamento regular. Os principais pontos de atenção incluem:

  • Controle da pressão arterial
  • Perfil lipídico (colesterol e triglicérides)
  • Avaliação da função cardíaca
  • Exames de imagem, quando necessário

Homens com outros fatores de risco, como obesidade, diabetes ou histórico familiar de doenças do coração, merecem atenção redobrada. O estudo serve como um importante lembrete de que hormônios não são isentos de riscos e devem ser tratados com o mesmo cuidado que qualquer medicamento.

Em todos os casos, a consulta com um médico é indispensável antes de iniciar ou modificar qualquer terapia hormonal.

Perguntas Frequentes

Quais são os riscos de usar testosterona sem ter deficiência comprovada?

O estudo mostrou que homens que iniciaram terapia com testosterona sem evidência de hipogonadismo tiveram riscos significativamente maiores de infarto, AVC e morte ao longo de até 10 anos de acompanhamento.

Qual foi o tamanho do estudo que associou testosterona a riscos cardiovasculares?

A pesquisa analisou quase 360 mil homens, dos quais 35,4% não apresentavam hipogonadismo. Após pareamento, 113.554 pares foram acompanhados por até 10 anos.

Para quem a reposição de testosterona é segura?

A terapia é segura quando indicada para homens com hipogonadismo confirmado por sintomas e exames laboratoriais; o risco cardiovascular é maior quando o tratamento é iniciado sem essa indicação.

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