A psicanalista Silvia Nicolau, de 49 anos, viveu uma verdadeira via-crúcis até receber o diagnóstico de fibromialgia. Foram mais de dois anos de sofrimento com dores intensas que a impediam de realizar tarefas simples, como limpar a casa. A história dela reflete a realidade de milhares de brasileiros que convivem com a dor crônica sem um diagnóstico preciso.
O início do sofrimento
Em 2017, Silvia começou a ficar extremamente debilitada. Ela chorava ao ter que limpar as vidraças, precisava de ajuda para se vestir e tomar banho, e sentia dificuldade até para se virar na cama. A dor era tão intensa que, em seus próprios relatos, ela pediu a morte várias vezes. “Por causa da dor, pedi a morte várias vezes”, desabafou a psicanalista. A situação se agravou a ponto de um médico chegar a dizer que ela deveria se acostumar com a dor, o que só aumentou seu desespero.
Fibromialgia: uma condição subdiagnosticada
Segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), cerca de 2,5% da população brasileira convive com a fibromialgia, mas até 75% dos casos permanecem sem diagnóstico. A doença é caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, fadiga e distúrbios do sono. Para Silvia, o diagnóstico veio após mais de dois anos de sofrimento, um período comum para muitos pacientes. Estudos internacionais, segundo o médico especialista em dor crônica André Félix, mostram que o atraso diagnóstico médio gira em torno de 6 a 10 anos, mesmo em sistemas de saúde com bom acesso.
Dor crônica complexa e outras condições
A fibromialgia não é a única condição que causa dor crônica. A dor neuropática, descrita como queimação, choques ou formigamento, é causada por lesão ou doença no sistema nervoso. Já a endometriose afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva e é uma das condições que mais causam dor intensa, frequentemente demorando anos para ser identificada. A doença ocorre quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, provocando cólicas menstruais incapacitantes, dor pélvica crônica, dor durante relações sexuais e até desconforto ao evacuar. Além disso, existem mais de 160 tipos de dores de cabeça, destaca o neurologista e especialista em dor crônica Ramon D’Angelo Dias. A dor nas costas também aparece entre as condições mais incapacitantes do mundo, comprometendo atividades simples do cotidiano e reduzindo a capacidade produtiva do paciente. Pode estar relacionada a problemas musculares, desgaste na coluna e compressões nervosas.
O impacto na vida cotidiana
Para Silvia, a dor não era apenas física, mas também emocional. A dificuldade para realizar atividades básicas, como limpar a casa, se vestir e tomar banho, a levou a um estado de profunda angústia. “Pedi a morte várias vezes”, revelou. O diagnóstico tardio agravou seu sofrimento, mas também trouxe um alívio ao dar nome ao que sentia. A partir daí, ela pôde buscar tratamentos adequados e aprender a conviver com a condição.
Dados e perspectivas
Os números mostram a magnitude do problema: 2,5% da população brasileira convive com fibromialgia, mas a maioria não tem diagnóstico. O atraso médio de 6 a 10 anos no diagnóstico, apontado por estudos internacionais, evidencia a necessidade de maior conscientização entre profissionais de saúde e pacientes. Para quem sofre de dor crônica, é fundamental buscar ajuda especializada e não aceitar a dor como algo normal. Consulte sempre um profissional de saúde para avaliação e tratamento adequados.
A história de Silvia Nicolau é um alerta sobre a importância do diagnóstico precoce e do acolhimento aos pacientes com dor crônica. A fibromialgia, embora desafiadora, pode ser manejada com abordagens multidisciplinares que incluem medicamentos, fisioterapia, terapia cognitivo-comportamental e mudanças no estilo de vida. O caminho é longo, mas com informação e apoio, é possível recuperar qualidade de vida.
Perguntas Frequentes
Quanto tempo leva para diagnosticar a fibromialgia?
O atraso diagnóstico médio para fibromialgia é de 6 a 10 anos, mesmo em sistemas de saúde com bom acesso, segundo estudos internacionais citados pelo médico André Félix.
Qual a porcentagem da população brasileira com fibromialgia que não tem diagnóstico?
Cerca de 2,5% da população brasileira convive com fibromialgia, mas até 75% dos casos permanecem sem diagnóstico, de acordo com a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED).
Quais sintomas Silvia Nicolau teve antes do diagnóstico de fibromialgia?
Silvia Nicolau sofreu por mais de dois anos com dores intensas que a impediam de limpar a casa, se vestir, tomar banho e até se virar na cama, chegando a pedir a morte várias vezes.








