Ciência aponta os hábitos que mais influenciam na longevidade
Crédito: Gazeta do Povo
Longevidade

Os hábitos que mais influenciam a longevidade, segundo a ciência

O IBGE registrou a maior expectativa de vida do Brasil, 76,6 anos, em 2025. O novo desafio da medicina é garantir qualidade de vida na velhice, e estudos apontam que hábitos como atividade física e laços sociais são mais determinantes que a genética.

O Brasil conquistou um marco histórico na longevidade de sua população. De acordo com o levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 2025, a expectativa de vida no país atingiu o recorde de 76,6 anos.

Esse avanço representa décadas de progresso na medicina, saneamento e qualidade de vida. No entanto, ele também traz à tona um novo cenário: não basta apenas estender os anos, é crucial que eles sejam vividos de forma autônoma e saudável.

O aumento da longevidade é uma conquista notável, porém, como lembram os especialistas, viver mais nem sempre é sinônimo de viver melhor.

Medicina muda o desafio: da quantidade à qualidade

Os números alcançados impulsionaram uma mudança significativa no pensamento médico. Se antes o principal objetivo era prolongar o tempo de vida, agora o foco da ciência se volta para garantir que os anos extras sejam desfrutados com independência e bem-estar.

Apesar do aumento na expectativa de vida, uma parcela considerável da população passa os últimos anos enfrentando doenças crônicas, perda de mobilidade e limitações que interferem na rotina diária e na qualidade de vida.

Nesse contexto, a geriatra Mônica Campanha, professora da pós-graduação em Geriatria da Afya Educação Médica Belo Horizonte, aponta que o indicador mais relevante atualmente é a capacidade funcional, ou seja, a habilidade de realizar as atividades cotidianas sem auxílio. A especialista explica que tarefas como tomar banho, vestir-se e alimentar-se sozinho são reflexos diretos da saúde global. Ela acrescenta que a perda dessa autonomia está ligada a internações e quedas, e que preservar essa independência é o verdadeiro desafio da longevidade contemporânea.

O peso do estilo de vida frente à genética

Por muito tempo, prevaleceu a crença de que a longevidade era ditada principalmente pela herança genética. No entanto, as pesquisas mais recentes revelam que, para a maioria das pessoas, o estilo de vida exerce uma influência muito mais determinante.

Além disso, a genética só começa a desempenhar um papel de maior destaque quando o indivíduo ultrapassa os 80 anos.

Até essa idade, os hábitos diários e o ambiente em que se vive têm um peso preponderante na forma como envelhecemos.

Portanto, esse entendimento coloca nas mãos de cada pessoa a possibilidade de construir uma velhice mais saudável.

Ou seja, envelhecer bem não é apenas uma questão de sorte, mas de construção diária.

Lições de quem ultrapassou os 100 anos

Estudos realizados com centenários mostram um padrão consistente: esses indivíduos apresentam menos doenças crônicas incapacitantes, mantêm-se fisicamente ativos, cultivam fortes vínculos sociais e encontram propósito nas atividades do dia a dia.

Além disso, o componente social mostrou-se tão relevante quanto a saúde física.

Por exemplo, entre os oito fatores analisados pelos pesquisadores, evitar o uso de substâncias de alto risco, como os opioides e outras drogas, figurou como um elemento crucial.

Assim, tais evidências reforçam que o envelhecimento saudável está diretamente relacionado a comportamentos adotados ao longo da vida, e não apenas a fatores biológicos imutáveis.

Em resumo, a longevidade saudável é, em grande parte, resultado de decisões conscientes.

Atividade física: o melhor investimento para o futuro

Dentre todos os hábitos estudados, a prática regular de atividade física se destaca como uma das estratégias com maior respaldo científico para promover uma longevidade com qualidade. De fato, o exercício físico é capaz de reduzir o risco de uma série de condições graves, como doenças cardiovasculares, diabetes, demência, osteoporose e depressão, além de ser fundamental para preservar a independência funcional ao longo dos anos.

Além disso, a pesquisadora Patrícia Ferreira ressalta que os benefícios vão muito além do condicionamento físico: a autonomia na velhice dificilmente surge por acaso. Para ela, é fruto de hábitos consistentes que integram movimento, conexões sociais e um senso de propósito.

Autonomia é construída diariamente

Assim como os centenários nos ensinam, a velhice ativa e independente é resultado de um estilo de vida adotado precocemente.

Da mesma forma, a pesquisadora Patrícia Ferreira enfatiza que a autonomia na velhice não é obra do acaso.

Com efeito, a ciência confirma que pequenas decisões diárias – como manter-se ativo, nutrir relacionamentos e evitar substâncias nocivas – exercem um impacto significativo no processo de envelhecimento.

Portanto, o objetivo não é mais apenas acrescentar anos à vida, mas sim vida aos anos, chegando à terceira idade com capacidade de desfrutar, tomar decisões e conservar a independência.

Diante disso, o recorde de expectativa de vida anunciado pelo IBGE em 2025 reforça a urgência de disseminar essas práticas de saúde preventiva.

Por fim, profissionais de saúde recomendam que cada pessoa busque orientação para adaptar esses hábitos à sua realidade, sempre com acompanhamento médico adequado.

Perguntas Frequentes

Qual é a expectativa de vida atual do brasileiro, segundo dados recentes?

Segundo o IBGE, em 2025 o Brasil registrou um recorde na expectativa de vida, com média de 76,6 anos.

A genética ou o estilo de vida influencia mais na longevidade?

Estudos mostram que, para a maioria das pessoas, o estilo de vida exerce influência muito maior do que a genética. A genética passa a ter impacto mais importante apenas após os 80 anos.

Qual hábito tem mais respaldo científico para garantir uma vida longa e saudável?

A atividade física é um dos hábitos com maior respaldo científico, pois reduz o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, demência, osteoporose e depressão, além de preservar a independência ao longo dos anos.

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