Prédio da Brigada Militar em Porto Alegre demolido provoca polêmica
A demolição do centenário prédio da Brigada Militar em Porto Alegre teve início nos últimos dias e, imediatamente, tornou-se alvo de polêmica nas redes sociais. O edifício, que abrigou por décadas o 1º Batalhão de Polícia Militar, está localizado na Rua Dezessete de Junho, entre as avenidas Ipiranga e Praia de Belas, no bairro Praia de Belas. As máquinas começaram a desmontar a estrutura, mas a fachada principal, erguida na década de 1920, será preservada e integrada a um novo empreendimento.
Reações e início dos trabalhos
A notícia da demolição propagou-se rapidamente pelas plataformas digitais, gerando manifestações de moradores e admiradores do patrimônio arquitetônico. Enquanto alguns internautas lamentaram a perda de um ícone da memória local, outros reconheceram a necessidade de modernização das instalações policiais.
A fachada verde e branca do casarão amanheceu parcialmente encoberta por tapumes de metal, sinalizando o avanço das intervenções.
De acordo com a Brigada Militar, a obra visa adequar o espaço às demandas operacionais atuais. A fonte não detalhou a abrangência da polêmica, mas confirmou que nenhuma parte da construção é tombada pelo patrimônio histórico, o que viabilizou o projeto.
Fachada histórica será mantida
Um dos pontos centrais do projeto é a preservação da fachada principal, que data dos anos 1920. A decisão atende a anseios de entidades culturais e manterá a identidade visual do edifício voltada para a rua.
Nos fundos e nas laterais, porém, toda a edificação será substituída por uma estrutura moderna.
Além da fachada, o telhado da parte que permanecerá passará por reformas, e a estrutura antiga precisará de reparos elétricos e hidráulicos para se integrar com segurança ao novo complexo.
Os responsáveis pelo planejamento destacam que a integração foi projetada para honrar o passado sem abrir mão da funcionalidade.
Investimento de R$ 38 milhões e nova torre
O empreendimento prevê a construção de uma torre de três andares, que substituirá o antigo quartel. Confira os detalhes do projeto:
- Custo: R$ 38 milhões, valor integralmente custeado pelo governo do Estado.
- Execução: Construtora Porto Beton, selecionada por leilão, com obra doada pelo Instituto Cultural Floresta (ICF).
- Prazo: A entrega deve ocorrer em um ano e oito meses a partir do começo dos trabalhos.
- Realocação: Cerca de 300 policiais militares do 1º BPM estão realocados em outras unidades, garantindo a continuidade dos serviços na região.
Memorial contará a história do 1º BPM
Após a conclusão das obras, a área preservada se transformará em um memorial dedicado à trajetória do batalhão.
A iniciativa foi idealizada pelo tenente-coronel Eduardo Moura Mendes, que comandava a unidade na época da concepção do projeto.
Em declaração, o oficial explicou que o espaço reunirá fotografias históricas, cartas e objetos, com o objetivo de perpetuar a memória da corporação. “O espaço preservado contará a história do batalhão como um memorial do 1º BPM”, afirmou. A proposta é que o local sirva não apenas à Brigada Militar, mas também à comunidade interessada em conhecer o legado do chamado Batalhão de Ferro.
Trajetória do Batalhão de Ferro
Origens e evolução
O 1º BPM é a unidade operacional mais antiga da Brigada Militar. Sua criação data de 1892, quando foi instituído como 1º Batalhão de Infantaria. Quase oito décadas depois, em 1968, recebeu a denominação atual de 1º Batalhão de Polícia Militar.
O surgimento do apelido “Batalhão de Ferro”
A alcunha de “Batalhão de Ferro” surgiu em 1932, a partir de um documento emitido pelo tenente-coronel Argemiro Dornelis no contexto da Revolução Constitucionalista. No mesmo ano, o prédio foi doado ao Estado e passou por uma ampla reforma.
Resiliência histórica: incêndios e enchentes
Ao longo de sua existência, a edificação resistiu a dois incêndios e às enchentes de 1941 e de 2024, marcas que se somam à sua rica história e reforçam sua relevância para Porto Alegre.
Perguntas Frequentes
Por que o prédio centenário da Brigada Militar foi demolido?
O prédio não é tombado e a demolição ocorre para substituí-lo por um novo imóvel, mas a fachada principal, erguida na década de 1920, será mantida. A ação gerou polêmica nas redes sociais.
O que será construído no lugar do antigo 1º Batalhão da Brigada Militar?
Será erguida uma torre de três andares com investimento de R$ 38 milhões, e o espaço preservado abrigará um memorial do 1º BPM com fotografias históricas, cartas e objetos. A obra inclui reformas no telhado e reparos elétricos e hidráulicos.
Quanto tempo vai durar a obra do novo prédio e para onde foram os policiais?
A obra tem previsão de um ano e oito meses. Durante esse período, cerca de 300 policiais militares do 1º BPM estão realocados em outras unidades.








