Um estudo publicado em 22 de julho na revista npj Aging sugere que consumir menos açúcar durante os primeiros anos de vida pode estar associado a um menor risco de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência décadas mais tarde.
Dessa forma, os pesquisadores analisaram dados de mais de 60 mil pessoas e observaram que aqueles com menor exposição ao açúcar desde a gestação até os dois primeiros anos de vida apresentaram menor risco de doenças neurodegenerativas na velhice.
Portanto, segundo os autores, os resultados reforçam a importância da alimentação no início da vida para a saúde do cérebro ao longo do envelhecimento.
Contexto histórico: o racionamento de açúcar
Por exemplo, a investigação utilizou um período singular da história do Reino Unido: o racionamento de açúcar que perdurou durante e após a Segunda Guerra Mundial.
Em seguida, a política terminou em setembro de 1953 e, pouco depois, o consumo de açúcar praticamente dobrou entre a população.
Consequentemente, esse contraste permitiu que os cientistas comparassem grupos com diferentes níveis de exposição ao açúcar na primeira infância, como se fosse um experimento natural.
Ademais, a análise focou em indivíduos que viveram a restrição durante a gestação e os dois primeiros anos de vida, uma janela crítica para o desenvolvimento cerebral.
Menos açúcar, menos risco de transtornos mentais e demências
Além da associação com menor risco de demência, os pesquisadores observaram outros benefícios.
Por exemplo, o grupo que passou pela restrição de açúcar apresentou:
- 20% menor risco de ansiedade;
- 11% menor risco de depressão ao longo da vida, em comparação com aqueles que não viveram o racionamento.
No entanto, nenhuma diferença foi encontrada entre os grupos para a doença de Parkinson.
Portanto, esses números indicam que a exposição reduzida ao açúcar nos primeiros anos pode ter um efeito protetor amplo sobre a saúde mental, e não apenas sobre as doenças neurodegenerativas.
Alzheimer: uma doença silenciosa e progressiva
Ou seja, o Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas.
Embora seja mais comum após os 70 anos, também pode se manifestar precocemente, por volta dos 30 anos — quando isso ocorre, é chamado de Alzheimer precoce.
Sintomas e progressão
Sobretudo, na fase inicial, a pessoa tende a ter alterações na memória, esquecendo coisas simples como onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã ou o nome de alguém.
Em seguida, com a progressão, surgem:
- Desorientação;
- Dificuldade para lembrar o endereço onde mora ou o caminho para casa;
- Dificuldade para tomar decisões simples (como planejar o que vai fazer ou comer);
- Perda da vontade de praticar tarefas rotineiras;
- Mudanças no comportamento, tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva;
- Repetições.
Consequentemente, esses sinais refletem o comprometimento progressivo das funções cognitivas e da autonomia do paciente.
Causas e tratamento atuais
Ademais, segundo pesquisa realizada pela Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), os fatores que podem estar relacionados ao surgimento da doença incluem:
- Presença de proteínas danificadas (Amiloide e Tau);
- Doenças vasculares;
- Neuroinflamação;
- Falha de energia neural;
- Fatores genéticos (gene APOE).
Assim sendo, o tratamento do Alzheimer é feito com medicamentos para diminuir os sintomas, além de fisioterapia e estimulação cognitiva.
Contudo, a doença não tem cura e o cuidado deve ser mantido até o fim da vida.
Portanto, diante desse panorama, a prevenção por meio de hábitos de vida saudáveis ganha destaque, e a alimentação nos primeiros anos emerge como um fator potencialmente modificável.
O impacto do açúcar no organismo
Sobretudo, o excesso de açúcar no sangue pode causar sintomas como cansaço, sede intensa e visão embaçada.
Além disso, manter os níveis desregulados por muito tempo favorece o surgimento de problemas como a diabetes tipo 2, na qual o corpo produz insulina, mas as células não respondem adequadamente, acumulando glicose no sangue em vez de utilizá-la como energia.
Consequentemente, o alto índice de açúcar no sangue pode aumentar o risco de complicações cardíacas, renais e oculares.
Dessa forma, esses efeitos conhecidos conferem plausibilidade biológica à associação entre exposição precoce ao açúcar e maior risco de demência observada no estudo.
Embora faltem detalhes sobre os mecanismos exatos, a mensagem central é clara: o controle do consumo de açúcar desde a gestação pode trazer benefícios de longo prazo para a saúde cerebral.
Limitações e próximos passos
Contudo, os próprios pesquisadores destacam que os resultados devem ser vistos dentro do contexto histórico do racionamento britânico.
Portanto, novas pesquisas com populações atuais e informações detalhadas sobre a alimentação na infância serão necessárias para confirmar se essa relação também ocorre fora desse cenário específico.
Assim sendo, somente com estudos contemporâneos e métodos mais precisos de avaliação dietética será possível estabelecer recomendações definitivas.
Em resumo, até lá, os achados reforçam a importância de uma alimentação equilibrada nos primeiros anos de vida, sempre com o acompanhamento de um profissional de saúde.
Perguntas Frequentes
Qual a redução percentual de ansiedade e depressão observada em pessoas que tiveram menor exposição ao açúcar na infância, segundo o estudo?
O estudo identificou um risco 20% menor de ansiedade e 11% menor de depressão no grupo com menor consumo de açúcar desde a gestação até os dois anos de idade.
Quantas pessoas foram estudadas para verificar a relação entre consumo de açúcar nos primeiros anos de vida e risco de demência?
Os pesquisadores analisaram dados de mais de 60 mil pessoas.
O que ocorreu com o consumo de açúcar da população após o fim do racionamento em setembro de 1953, mencionado no estudo?
Após o término da política de racionamento em setembro de 1953, o consumo de açúcar praticamente dobrou entre a população.
Fonte
- www.metropoles.com
- npj Aging (dx.doi.org)








