Condenação histórica em São Bernardo do Campo
A Justiça de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, condenou o médico oftalmologista Paulo Barição a 40 anos de reclusão, em regime inicial fechado.
A sentença, proferida pela 3ª Vara Criminal do município, o considerou responsável pela perda parcial ou permanente da visão de 21 pacientes.
O caso remonta a um mutirão de cirurgias de catarata realizado em 2016, que terminou em tragédia. Segundo o juízo, o profissional assumiu o risco ao descumprir deliberadamente os protocolos de esterilização exigidos para procedimentos oftalmológicos.
A decisão ainda cabe recurso, e a defesa já anunciou que irá contestá-la. Por ora, a condenação é um marco na responsabilização médica por danos coletivos.
Falhas nos protocolos: a confissão do médico
Durante as investigações, um detalhe chamou a atenção das autoridades: em depoimento à Polícia Civil, o próprio réu admitiu que não realizou a troca de avental entre uma cirurgia e outra.
Esse procedimento simples é uma barreira fundamental contra a contaminação cruzada em ambientes cirúrgicos. A confissão foi determinante para a conclusão de que as infecções que levaram à cegueira dos pacientes tiveram origem na negligência do oftalmologista.
A sentença ressaltou que, ao ignorar as normas básicas de biossegurança, ele colocou em risco a saúde de todos os que estavam sendo operados, confiando que sairiam do mutirão com a visão restaurada.
Uma vítima conta sua história
Expedito Batista, à época com 66 anos, foi um dos pacientes que tiveram a vida transformada para pior após o mutirão. Ele relatou que acordou completamente cego no dia seguinte à cirurgia de catarata.
Desesperado, retornou ao hospital em busca de respostas e foi atendido pelo próprio médico responsável pelo procedimento. Para sua surpresa, o profissional afirmou não saber o que tinha ocorrido.
Sem uma explicação satisfatória, Expedito foi encaminhado às pressas para uma unidade hospitalar na capital paulista, onde passou por uma nova intervenção cirúrgica na tentativa de reverter o dano. A fonte não detalhou o resultado desse segundo procedimento, mas o drama de Expedito espelha o sofrimento de dezenas de famílias atingidas.
O papel crucial da imprensa
Ainda em 2016, o caso começou a ganhar repercussão graças às corajosas denúncias dos próprios pacientes, que procuraram veículos de comunicação.
Reportagens do jornal Diário foram fundamentais ao revelar a gravidade das sequelas provocadas pelo mutirão. As matérias expuseram as falhas do atendimento e deram voz às vítimas, que até então se sentiam desamparadas.
A cobertura jornalística manteve o assunto em evidência e pressionou as autoridades a agir. É possível afirmar que, sem o trabalho da imprensa, a tragédia poderia ter caído no esquecimento, e os responsáveis jamais teriam sido levados à Justiça.
Mobilização do poder público
Entre os agentes políticos que se engajaram na causa, destaca-se o vereador Julinho Fuzari (Republicanos). Ele relatou ter sido o primeiro a levar o caso formalmente às autoridades competentes.
Sua atuação incluiu o protocolo de um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal, além de uma representação encaminhada ao Ministério Público para que o episódio fosse investigado com rigor.
Essas iniciativas foram essenciais para que o sistema de Justiça se movimentasse e apurasse as responsabilidades, garantindo que os direitos das vítimas fossem considerados.
Defesa anuncia recurso
O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que faz a defesa do oftalmologista, já informou que recorrerá da condenação. Ele afirmou que o processo tramitou em segredo de Justiça, mas não forneceu detalhes adicionais sobre os argumentos que serão utilizados na apelação.
A expectativa é que o recurso seja analisado pelas instâncias superiores nos próximos meses. Enquanto isso, Paulo Barição permanecerá preso em regime fechado, conforme determinado pela sentença.
O caso continua a gerar debates sobre a segurança em mutirões de saúde e a responsabilidade ética dos profissionais.
Alerta à população
Esta tragédia serve como um poderoso lembrete da importância de se verificar as condições de esterilização e a qualificação dos profissionais envolvidos em qualquer procedimento médico.
Especialmente em mutirões, onde o volume de pacientes é elevado, é crucial que os indivíduos observem as práticas de higiene e não hesitem em questionar os organizadores. A saúde ocular é um bem precioso, e a prevenção de riscos começa com a informação.
Em caso de dúvidas, sempre consulte um profissional de saúde de sua confiança. Para procedimentos cirúrgicos, é prudente buscar uma segunda opinião quando possível. O episódio de São Bernardo deve servir de aprendizado para que erros similares não se repitam.
Perguntas Frequentes
Por que o médico Paulo Barição foi condenado a 40 anos de prisão?
Ele foi condenado por provocar a perda parcial ou permanente da visão de 21 pacientes durante um mutirão de cirurgias de catarata em São Bernardo, ao descumprir protocolos de esterilização; o próprio médico admitiu não ter trocado o avental entre uma cirurgia e outra.
Quais foram as consequências para os pacientes do mutirão de catarata de 2016?
Vinte e um pacientes sofreram perda parcial ou permanente da visão. Um deles, Expedito Batista, de 66 anos, acordou cego no dia seguinte ao procedimento e precisou ser encaminhado para uma nova cirurgia em unidade hospitalar na Capital.
A condenação do médico Paulo Barição já é definitiva?
Não, a decisão ainda cabe recurso. O advogado de defesa, Luiz Flávio Borges D’Urso, afirmou que recorrerá da sentença.








