Dormir demais faz mal? Entenda os riscos do excesso de sono
Crédito: Época Negócios
Memória

Dormir demais faz mal? Entenda os riscos do excesso de sono

Dormir demais pode ser tão prejudicial quanto dormir de menos, segundo evidências científicas. Estudo recente sugere uma relação em forma de 'U' entre duração do sono e saúde. Especialistas alertam que qualidade, regularidade e continuidade do sono são tão importantes quanto a quantidade.

Você já ouviu falar que dormir pouco faz mal à saúde, mas sabia que dormir demais também pode trazer riscos? Um estudo recente, publicado na Nature em 13 de maio, reforça que tanto o sono insuficiente quanto o excessivo são piores do que uma faixa intermediária ideal. A privação crônica de sono está associada ao declínio cognitivo, a transtornos psiquiátricos e até mesmo à morte precoce. Por outro lado, dormir demais também pode fazer mal. A chave, segundo os pesquisadores, está em encontrar o equilíbrio.

A origem das oito horas

A ideia de que dormir oito horas por noite é o ideal tornou-se popular ao longo do tempo. Em 1817, o reformador social Robert Owen cunhou a frase: “Oito horas de trabalho, oito horas de lazer, oito horas de descanso”. O objetivo de Robert Owen era uma semana de trabalho mais justa, não necessariamente uma recomendação médica. No entanto, essa divisão acabou se consolidando como uma referência para o sono noturno. Hoje, a ciência busca entender se essa métrica realmente se aplica a todos.

Os efeitos de uma noite mal dormida

Uma noite mal dormida pode levar a uma queda nas capacidades cognitivas, aumento do estresse e mau humor geral no dia seguinte. Esses sintomas são familiares para muitos, mas a privação crônica de sono vai além: está associada ao declínio cognitivo, a transtornos psiquiátricos e até mesmo à morte precoce. O corpo precisa de descanso para se recuperar, e a falta dele pode comprometer o sistema imunológico, a memória e a regulação emocional. Por isso, especialistas recomendam atenção à qualidade do sono, não apenas à quantidade.

O outro lado: dormir demais também é risco

Assim como dormir pouco, dormir demais também pode fazer mal. As evidências sugerem uma relação em forma de “U” entre saúde e duração do sono. Isso significa que tanto o sono insuficiente quanto o excessivo são piores do que uma faixa intermediária ideal. Um estudo mais recente, publicado na Nature em 13 de maio, refinou estimativas ao analisar os efeitos da duração do sono em partes específicas do corpo. Os autores do estudo utilizaram o conceito de “relógios biológicos” para entender como o excesso de sono impacta órgãos como o coração e o cérebro. Os resultados indicam que dormir mais de nove ou dez horas por noite pode estar associado a maior risco de doenças cardiovasculares e declínio cognitivo.

Qualidade importa mais que quantidade?

Michael Grandner, psiquiatra da Universidade do Arizona, diz que a duração é apenas uma das métricas; a qualidade, a regularidade e a continuidade do sono também são importantes. Para ele, o conselho é: “Não se preocupe excessivamente com um número específico, a menos que seja um valor muito incomum”. Isso significa que uma pessoa que dorme consistentemente bem por sete horas pode ter melhor saúde do que outra que dorme oito horas, mas com interrupções frequentes. A regularidade — ir para a cama e acordar nos mesmos horários — também desempenha um papel crucial na sincronização dos relógios biológicos.

Sinais de que seu sono pode estar desregulado

Alguns sinais podem indicar que a duração do sono não está adequada. Se você acorda cansado mesmo após oito horas de sono, pode ser um sinal de má qualidade. Por outro lado, sentir sonolência excessiva durante o dia, mesmo dormindo nove ou mais horas, pode indicar um problema subjacente, como apneia do sono ou depressão. A privação crônica de sono, por sua vez, manifesta-se com irritabilidade, dificuldade de concentração e queda no desempenho. Em ambos os extremos, é importante buscar orientação profissional.

Dicas práticas para um sono equilibrado

Para manter o sono na faixa ideal, especialistas sugerem algumas práticas:

  • Estabeleça uma rotina regular, indo para a cama e acordando no mesmo horário todos os dias, inclusive nos fins de semana.
  • Evite cafeína e telas eletrônicas nas horas que antecedem o sono.
  • Crie um ambiente escuro, silencioso e fresco no quarto.
  • Se você tem dificuldade para dormir ou acorda frequentemente, consulte um profissional de saúde para avaliar possíveis causas.

Lembre-se: a qualidade do sono é tão importante quanto a quantidade.

Perguntas Frequentes

Dormir demais faz tão mal quanto dormir de menos?

Sim, as evidências sugerem uma relação em forma de “U” entre saúde e duração do sono, onde tanto o sono insuficiente quanto o excessivo são piores do que uma faixa intermediária ideal.

Quantas horas de sono são consideradas ideais?

A ideia de que dormir oito horas por noite é o ideal tornou-se popular, mas a duração ideal varia. O psiquiatra Michael Grandner recomenda não se preocupar excessivamente com um número específico, a menos que seja muito incomum.

Quais são os riscos de dormir pouco ou demais?

A privação crônica de sono está associada a declínio cognitivo, transtornos psiquiátricos e morte precoce. Dormir demais também pode fazer mal, e ambos os extremos são piores que uma faixa intermediária.

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