Prevenção declínio cognitivo: o papel da dieta e exercícios
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Memória

O papel da dieta e exercícios na prevenção do declínio cognitivo

Pesquisa da Faculdade de Medicina da USP indica que intervenções no estilo de vida, como alimentação balanceada e atividade física, podem reduzir o risco de declínio cognitivo. O estudo, parte da iniciativa Worldwide FINGERS, foi adaptado à realidade latino-americana e mostrou melhora no desempenho cerebral dos participantes.

Um marco para a ciência latino-americana

Uma recente pesquisa conduzida pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) lança luz sobre a prevenção do declínio cognitivo.

O estudo, liderado por pesquisadores brasileiros, mostra que mudanças na alimentação e a prática regular de exercícios físicos podem ajudar a proteger o cérebro.

Além disso, a iniciativa faz parte do Worldwide FINGERS, um consórcio internacional dedicado à prevenção da demência por meio de intervenções no estilo de vida.

Essa rede global reúne estudos em vários países, mas a versão latino-americana destaca-se por ter sido concebida para refletir as necessidades e possibilidades da região.

Segundo a geriatra, professora e doutora da FMUSP Cláudia Suemoto, uma das autoras do trabalho, este é um marco para a produção científica na América Latina.

“O estudo foi desenhado, implementado e concluído dentro da América Latina, com quase nenhuma influência externa”, afirmou.

Portanto, ela enfatizou que as intervenções foram totalmente adaptadas para a realidade da região, tanto do ponto de vista cultural quanto econômico.

Adaptações para a realidade local

Além disso, a versão latino-americana do estudo levou em consideração hábitos alimentares, infraestrutura e características sociais dos países participantes.

Ao contrário de pesquisas realizadas em contextos de alta renda, este trabalho buscou soluções viáveis para populações com recursos limitados.

Alimentação acessível e culturalmente adequada

A Dra. Suemoto exemplificou: “O paciente do SUS dificilmente consegue comprar salmão, azeite e nozes regularmente”.

Por isso, a equipe fez adaptações para alimentos acessíveis, sem perder os princípios da dieta.

Consequentemente, os resultados indicam que a adesão foi alta, justamente porque as recomendações eram factíveis no cotidiano dos voluntários.

Por exemplo, a orientação priorizou preparações assadas ou grelhadas em vez de frituras e incentivou o consumo de frutas no lugar de doces.

Essas substituições, embora simples, estão em consonância com as diretrizes de alimentação saudável da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomendam a redução de gorduras saturadas e açúcares refinados.

Dessa forma, a abordagem mostra que é possível seguir uma dieta benéfica para o cérebro mesmo com orçamento restrito.

O que os participantes fizeram

Em seguida, os voluntários do estudo passaram a seguir um cronograma que incluía mudanças na alimentação, prática regular de atividade física, estímulos cognitivos e controle de fatores de risco cardiovasculares.

As atividades eram supervisionadas por profissionais de saúde e adaptadas à condição individual de cada idoso.

Superando barreiras tecnológicas

Sobretudo, um dos diferenciais foi o uso de um aplicativo para treinamento cognitivo, ferramenta que vem sendo empregada em estudos sobre envelhecimento ativo.

No entanto, muitos participantes enfrentaram dificuldades com a tecnologia.

“Muitos não conseguiam criar um usuário e acessar o aplicativo”, relatou Suemoto.

Portanto, para contornar o problema, o programa foi adaptado para que a atividade cognitiva fosse realizada após os exercícios, com acompanhamento presencial.

Dessa forma, essa abordagem garantiu que todos pudessem se beneficiar, independentemente da familiaridade com dispositivos digitais.

Resultados que vão além do cérebro

Em resumo, os achados reforçam aquilo que instituições como o National Institute on Aging (NIA) já indicavam: atividade física, alimentação saudável e estímulos cognitivos melhoram o desempenho cerebral de idosos.

Benefício social inesperado

Embora o foco do estudo não fosse combater a solidão, a convivência entre os participantes criou uma rede de apoio espontânea.

Ademais, os idosos passaram a frequentar juntos as atividades e, em muitos casos, mantiveram encontros fora do programa.

Consequentemente, esse aspecto social inesperado mostrou como intervenções direcionadas podem ter efeitos positivos em outras áreas da vida.

Por exemplo, a Mayo Clinic, referência em saúde, destaca que a interação social regular é um componente-chave para prevenir o isolamento, fator que agrava o declínio cognitivo.

“Mudanças no estilo de vida para viver de forma mais saudável podem ajudar a proteger o cérebro contra o declínio cognitivo, reduzindo o risco de demência”, concluiu Suemoto.

O que o estudo nos ensina

Portanto, a pesquisa da USP oferece evidências de que pequenas alterações na rotina são capazes de trazer grandes benefícios para a saúde cerebral.

Para quem deseja adotar hábitos similares, especialistas recomendam consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer programa de exercícios ou dieta.

Assim sendo, a prevenção do declínio cognitivo está ao alcance de todos, com medidas simples e acessíveis.

Além disso, o estudo completo está disponível nas publicações da iniciativa Worldwide FINGERS, que segue investigando como diferentes realidades culturais e econômicas podem influenciar a saúde do cérebro.

Consequentemente, os pesquisadores esperam que os resultados inspirem novas estratégias de cuidado com a população idosa, valorizando a simplicidade e a eficácia das intervenções.

Além disso, o trabalho ressalta a importância de se considerar as particularidades de cada população ao desenhar programas de saúde, evitando a importação acrítica de modelos estrangeiros.

Perguntas Frequentes

Quais mudanças no estilo de vida foram adotadas no estudo da USP para reduzir o risco de declínio cognitivo?

O estudo incluiu alterações na alimentação (como preferir preparações assadas ou grelhadas e frutas no lugar de doces), prática regular de atividade física, estímulos cognitivos por meio de aplicativo e controle de fatores de risco cardiovasculares.

Como o estudo latino-americano de prevenção à demência adaptou as intervenções para a realidade local?

A pesquisa adaptou a dieta para alimentos acessíveis no SUS, como substituir salmão e nozes por opções mais baratas, e ajustou o treinamento cognitivo para ser feito após os exercícios com acompanhamento, devido à dificuldade dos participantes com o aplicativo.

Quem realizou a pesquisa e quais foram seus principais achados?

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, com participação da professora Cláudia Suemoto. Os achados indicam que atividade física, alimentação saudável e estímulos cognitivos melhoram o desempenho cerebral de idosos, reduzindo o risco de declínio cognitivo.

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