Parto normal cesariana UNICEF: por que gestantes trocam?
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Dor Crônica

Parto normal cesariana UNICEF: por que gestantes trocam?

Pesquisa do UNICEF mostra que a maioria das brasileiras inicia a gestação desejando parto normal, mas medo, falta de apoio no pré-natal e influências familiares e estruturais levam à alta taxa de cesarianas. A decisão é construída ao longo da gestação, não apenas no momento do parto.

Uma pesquisa do UNICEF revela que o medo e a falta de apoio durante o pré-natal são fatores determinantes para que muitas gestantes brasileiras optem pela cesariana, mesmo quando inicialmente desejavam o parto normal. O estudo, que analisou dados de Belém e São Paulo, aponta que a escolha não depende apenas da vontade da gestante, mas é influenciada por uma combinação de fatores psicológicos, sociais e estruturais. A cesariana é a via de nascimento mais frequente no Brasil, e a pesquisa busca entender as razões por trás dessa preferência.

Fatores psicológicos e medos

Entre os fatores psicológicos, o medo da dor e o despreparo para enfrentar o trabalho de parto aparecem como barreiras importantes. Muitas mulheres passam a solicitar uma cesariana durante o trabalho de parto não por complicações clínicas, mas pelo cansaço, pela dor intensa e pelo desconhecimento sobre a evolução do processo. Por outro lado, a recuperação mais rápida após o parto vaginal e experiências positivas anteriores favorecem a preferência pelo parto normal. O desejo de realizar laqueadura e a baixa autonomia para participar da decisão também influenciam a escolha.

Influência familiar e social

Depois dos fatores individuais, a influência familiar aparece como um dos principais determinantes da via de nascimento. Entre usuárias do SUS, mães, avós e outras mulheres da família costumam incentivar o parto vaginal, principalmente pela percepção de recuperação mais rápida. Na rede privada, predominam relatos positivos sobre cesarianas realizados por mulheres que tiveram filhos durante o período de expansão desse procedimento no Brasil. Os parceiros, em geral, respeitam a decisão da gestante, mas participam pouco do pré-natal. A ausência dos parceiros dificulta a compreensão sobre o trabalho de parto e pode levar alguns acompanhantes a defenderem uma cesariana ao presenciarem a dor das contrações, mesmo sem indicação clínica.

Estrutura dos serviços de saúde

A estrutura dos serviços de saúde exerce papel importante na decisão sobre o parto. A pesquisa conclui que a escolha não ocorre apenas no momento da internação, mas é construída durante o pré-natal, conforme a gestante recebe orientações, conversa com familiares, acompanha relatos de outras mulheres e estabelece vínculo com os profissionais de saúde. A qualidade do pré-natal e o acesso à informação atuam simultaneamente com os demais fatores. Nas cidades analisadas, 69,28% dos nascimentos em Belém e 56,19% em São Paulo ocorreram por cesariana. Na rede privada, os índices chegaram a 80,41% e 71,05%, respectivamente.

Determinantes em três grupos

Os pesquisadores organizaram os resultados em três grandes grupos de determinantes: psicológicos, sociais e estruturais. A decisão sobre o tipo de parto é construída durante toda a gestação e sofre influência de fatores psicológicos, sociais e estruturais. Medos, crenças, experiências anteriores, relatos de familiares, qualidade do pré-natal, organização dos serviços de saúde e acesso à informação atuam simultaneamente. A maioria das brasileiras inicia a gestação desejando um parto normal, mas a alta taxa de cesarianas indica que esse desejo nem sempre se concretiza. A pesquisa do UNICEF reforça a necessidade de um pré-natal acolhedor e informativo, que prepare a gestante para o parto e ofereça suporte contínuo, respeitando suas escolhas e necessidades.

Perguntas Frequentes

Por que muitas gestantes trocam o parto normal pela cesariana no Brasil?

A pesquisa do UNICEF mostra que medo, falta de apoio no pré-natal, crenças, experiências anteriores, relatos de familiares, qualidade do pré-natal, organização dos serviços de saúde e acesso à informação atuam simultaneamente. A maioria das brasileiras inicia a gestação desejando parto normal, mas a cesariana é a via mais frequente no país.

Qual a taxa de cesariana em Belém e São Paulo, segundo a pesquisa do UNICEF?

Nas cidades analisadas, 69,28% dos nascimentos em Belém e 56,19% em São Paulo ocorreram por cesariana. Na rede privada, os índices chegaram a 80,41% e 71,05%, respectivamente.

Como a influência familiar afeta a escolha entre parto normal e cesariana?

Entre usuárias do SUS, mães, avós e outras mulheres da família costumam incentivar o parto vaginal, principalmente pela percepção de recuperação mais rápida. Já na rede privada, predominam relatos positivos sobre cesarianas feitos por mulheres que tiveram filhos durante a expansão desse procedimento no Brasil.

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