Entre os dias 13 e 15 de agosto, Brumadinho se torna o centro de um importante debate sobre memória e mineração. O Memorial Brumadinho promove o seminário internacional “Mande notícias do mundo de lá”. O encontro ocorrerá na Rua Hum, nº 100, Bairro Córrego do Feijão, e é aberto a todos os interessados em refletir sobre os impactos da tragédia e os caminhos para um futuro mais justo.
25 de janeiro: o dia que parou Brumadinho
No dia 25 de janeiro de 2025, a barragem B1 se rompeu, matando 272 pessoas e devastando a paisagem e a vida de milhares de famílias. O desastre, um dos maiores da história da mineração, deixou uma marca indelével na memória do país. A partir daquele instante, Brumadinho passou a carregar o peso de uma dor coletiva que relutava em se apagar.
Sete anos e meio de luta e memória
Sete anos e meio depois do rompimento, a cidade começou a se firmar como um território de memória — um espaço onde a lembrança das vítimas se transforma em ação e resistência. O luto se mistura à luta por justiça, e a comunidade se organiza para que a história não seja esquecida. Nesse processo, o Memorial Brumadinho emergiu como um símbolo central dessa virada.
O peso da lama no Rio Paraopeba
Apesar dos avanços na construção da memória, a recuperação ambiental ainda patina. Sete anos após a tragédia em Brumadinho, só 17% do rejeito foi removido do Rio Paraopeba. A lentidão na retirada dos resíduos contrasta com a urgência da comunidade em ver o rio limpo e a vida renascer em suas margens.
A gestão do Memorial pelas mãos dos familiares
A Fundação Memorial de Brumadinho é a responsável pelo espaço, mas um detalhe faz toda a diferença: ela é gerida de forma independente pela Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM). São as famílias que decidem os rumos do Memorial, garantindo que as narrativas de quem mais sofreu estejam no centro. Esse modelo de governança fortalece a legitimidade do local como guardião da memória coletiva.
“Mande notícias do mundo de lá”: um seminário para todos
Com o título poético “Mande notícias do mundo de lá”, o seminário internacional foi pensado para ser um espaço de troca e acolhimento. Ao longo de três dias, especialistas, artistas e lideranças se encontrarão para discutir os legados da mineração e as formas de manter viva a memória das 272 vítimas. A programação, cuidadosamente elaborada, mescla visitas mediadas, exposições e almoços coletivos que celebram a resiliência local.
Primeiro dia: a visita guiada e o almoço que é arte
Às 10h da manhã, os participantes são convidados para uma visita mediada ao Memorial Brumadinho, conduzida pela familiar Kenya Lamounier e pela Diretoria Executiva da Fundação. Kenya, que carrega em sua voz a emoção de quem perdeu entes queridos, guiará o grupo pelos espaços que contam a história da tragédia. Das 12h às 13h30, o almoço coletivo ganha contornos artísticos com Joseane Jorge, artista e arquiteta moradora de Suzana, Brumadinho. Seus trabalhos tiram partido do potencial de interação da arte e do compartilhamento da comida como ferramenta para trocas sociais e diálogos com o território e a paisagem. A refeição se torna, assim, um ato de conexão e reflexão.
Segundo dia: a exposição que brota da lama e a cozinha afetiva
No dia seguinte, às 10h, o foco se volta para a exposição “Florescer em meio à lama: Memórias que brotam”, mediada por moradoras do Córrego do Feijão. A experiência inclui uma visita ao próprio Córrego do Feijão, percorrendo o território que as exposições habitam. Em seguida, haverá visita mediada à exposição com Ísis Medeiros, ampliando as perspectivas sobre a arte que emergiu após o rompimento. O almoço, das 12h às 13h30, é preparado pelo grupo de mulheres do Córrego do Feijão – Memórias – Cozinha Afetiva. Cada receita carrega histórias de superação e o sabor de uma comunidade que se recusou a ser reduzida à tragédia.
Um legado que transborda para o mundo
O “Mande notícias do mundo de lá” não é apenas um evento; é um testemunho vivo de que a memória pode ser um instrumento de transformação. As 272 vidas perdidas estão presentes em cada atividade, inspirando diálogos sobre mineração, justiça social e solidariedade. Brumadinho, com seu Memorial gerido por quem mais sentiu a dor, ensina ao mundo que é possível florescer mesmo em meio à lama. Dessa forma, o seminário se firma como um marco na luta pela memória e por um futuro sem novas tragédias.
Perguntas Frequentes
Qual é o objetivo do encontro promovido pelo Memorial Brumadinho?
Discutir memória e mineração, reunindo especialistas, pesquisadores, artistas, lideranças comunitárias e familiares de vítimas do rompimento da barragem.
Quando e onde acontece o seminário internacional ‘Mande notícias do mundo de lá’?
Ocorre entre 13 e 15 de agosto no Memorial Brumadinho, na Rua Hum, 100, Bairro Córrego do Feijão, Brumadinho (MG).
Que atividades estão programadas para o encontro no Memorial Brumadinho?
Visitas mediadas ao Memorial e à exposição ‘Florescer em meio à lama’, almoços coletivos, e percurso pelo território do Córrego do Feijão.








