A perda auditiva relacionada à idade, quando não tratada por anos, está associada a maior risco de declínio cognitivo e demência, incluindo o Alzheimer. Sem tratamento, o problema pode levar à ansiedade, depressão e prejuízos profissionais, além de contribuir para quedas e declínio funcional, comprometendo a autonomia da pessoa idosa. Por isso, entender os fatores de risco e adotar medidas preventivas é essencial para a saúde auditiva e cerebral.
Relação entre audição e cognição
Estudos apontam que a perda auditiva não tratada sobrecarrega o cérebro, que precisa se esforçar mais para interpretar sons, desviando recursos de outras funções cognitivas. Além disso, o isolamento social decorrente da dificuldade de comunicação reduz a estimulação mental, acelerando o declínio. O zumbido é um sintoma frequentemente decorrente da própria perda auditiva. No entanto, o zumbido não é considerado, isoladamente, um causador de demência, mas aparece no mesmo contexto de perda auditiva não tratada e comorbidades como ansiedade, insônia e depressão.
Causas da perda auditiva em idosos
Nos idosos, o principal fator de perda auditiva é o envelhecimento natural do sistema auditivo, agravado por doenças como diabetes e hipertensão, e por toda uma vida de exposição ao ruído. A perda auditiva pode surgir em qualquer idade, mas se torna mais frequente depois dos 60 anos. Por isso, é importante monitorar a audição regularmente, especialmente na presença de fatores de risco.
Medidas preventivas eficazes
Proteção contra ruído
Use protetores auriculares em ambientes de trabalho ruidosos, shows, ensaios musicais, ferramentas ou máquinas barulhentas. Evite exposição prolongada a volumes elevados.
Controle de volume e tempo de fones de ouvido
Limite o volume (regra prática: se outra pessoa ouve o som dos seus fones, está alto demais) e evite o uso contínuo dos dispositivos por muitas horas seguidas.
Cuidado com medicamentos
Evite a automedicação, especialmente com drogas potencialmente ototóxicas (certos antibióticos, diuréticos, quimioterápicos). Siga sempre a orientação médica.
Check-ups auditivos periódicos
São recomendados especialmente a partir dos 50 a 60 anos, ou antes em pessoas com exposição a ruído ou história familiar importante. Consulte um profissional de saúde para orientações individualizadas.
Sinais de alerta para familiares
Em idosos com perda auditiva, é comum que os familiares observem o problema antes do próprio paciente. Fique atento a estes sinais:
- Aumentar de forma repetida o volume da TV, rádio ou celular, até incomodar os demais.
- Pedir que repitam com frequência (perguntas como “hã?” ou “o quê?”), especialmente em ambientes com ruído de fundo ou conversas em grupo.
- Relatar que “escuta, mas não entende” quando várias pessoas falam ou quando a fala é rápida.
- Dificuldade para acompanhar conversa ao telefone ou para entender vozes agudas (como de mulheres e crianças).
- Passar a evitar encontros sociais, falar menos em reuniões de família, aparentar distração ou desatenção em rodas de conversa.
- Queixar-se de zumbido (barulho no ouvido) associado a qualquer um desses sinais.
Opções de tratamento disponíveis
O tratamento passa por causas reversíveis quando presentes: cerúmen impactado, otites, alterações de pressão ou ventilação da orelha média, ajuste de medicamentos potencialmente ototóxicos, controle de fatores metabólicos e vasculares. Em outros casos, recomendam-se os aparelhos auditivos ajustados ao perfil audiológico e às necessidades do idoso, além de treinamento auditivo e estratégias de comunicação. Em perdas severas ou profundas com pouco benefício de aparelhos, é preciso considerar tecnologias como o implante coclear. Consulte um profissional de saúde para avaliar a melhor opção.
Prevenir a perda auditiva é uma estratégia importante para reduzir o risco de demência. Adotar hábitos saudáveis, realizar check-ups regulares e ficar atento aos sinais de alerta pode fazer diferença na qualidade de vida na terceira idade.
Perguntas Frequentes
Como a perda auditiva não tratada aumenta o risco de demência?
A perda auditiva relacionada à idade, principalmente quando não tratada por anos, está associada a maior risco de declínio cognitivo e demência, incluindo Alzheimer. Além disso, pode levar a ansiedade, depressão e declínio funcional, comprometendo a autonomia.
Quais são os principais sinais de alerta de perda auditiva em idosos?
Sinais incluem aumentar repetidamente o volume da TV ou celular, pedir para repetir com frequência (“hã?” ou “o quê?”), dificuldade para entender conversas ao telefone ou vozes agudas, evitar encontros sociais e queixar-se de zumbido associado a esses sintomas.
Como prevenir a perda auditiva relacionada à idade?
A prevenção inclui usar protetores auriculares em ambientes ruidosos, limitar volume e tempo de uso de fones de ouvido, evitar automedicação com drogas ototóxicas e realizar check-ups auditivos periódicos a partir dos 50-60 anos.
Fonte
- drauziovarella.uol.com.br
- diretriz recente (www.who.int)








